Limites e liberdade

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Limites e liberdade

O desafio de deixar uma criança ser uma criança e educá-la ao mesmo tempo

 

Saber estabelecer limites e regras aos comportamentos das crianças é um dos aspetos mais importantes na educação. Muitas vezes o facto de elas protestarem com essas restrições ou imposições de comportamento leva os adultos a sentirem-se demasiado “duros” ou exigentes. Mas tal não é o caso, definir restrições ao comportamento dos jovens dá-lhes estabilidade e segurança.

O facto de eles procurarem mais (e mais) liberdade é perfeitamente normal e deve ser encarado com naturalidade e não sobrevalorizado.

Mas, da mesma forma que é importante definir limites é fundamental que esses limites não sejam demasiado apertados. Deve existir espaço suficiente para os jovens poderem experimentar, explorar, decidir, falhar, corrigir, acertar. No fundo, aprenderem aos poucos a ganharem independência e autonomia.

 

Quais os limites

A grande questão que exige alguma reflexão aos educadores é a de quais os limites a impor? Não há uma resposta absoluta para esta pergunta, ela depende de vários fatores e também dos princípios de vida e filosofia dos próprios educadores.

De qualquer forma penso que poderemos estabelecer algumas regras gerais importantes.

 

1. Permitir um leque variado de comportamentos às crianças

As crianças não são adultos em ponto pequeno e por isso nem todas as regras sociais se devem aplicar da mesma forma. Dependendo da idade alguns comportamentos desadequados aos adultos são importantes para o seu desenvolvimento como: correr, saltar, trepar, cantarolar e até vários outros tipos de comportamento que por vezes consideramos “patetas”. Deixemos as crianças ser crianças, vão ter muito tempo para ser adultos.

Dependendo da situação e do desenvolvimento da criança devemos sempre que possível dar-lhe liberdade para se poder exprimir. Mesmo alguns comportamentos que consideremos menos adequados poderemos deixar passar. Desde que sejam de baixa gravidade e não tenham riscos de segurança, é por vezes preferível ignorá-los do que entrar no registo desgastante de “Não faças isto”, “Não faças aquilo”.

Além de desgastante para a relação, esse tipo de registo torna-a menos sensível a repreensões. Tal como em muitas coisas na vida, temos de saber escolher as nossas prioridades.

 

2. As áreas críticas a intervir

  • Segurança

Em situações em que segurança está seriamente em risco é muito importante que lhe sejam transmitidas regras restritivas (por exemplo nunca atravessar a estrada sem um adulto).

  • Princípios e comportamentos

Princípios importantes como o respeito pelos outros e comportamentos como o de partilha também devem ser estimulados logo que possível.

  • Hábitos

Todos os comportamentos que influenciem a sua saúde e bem-estar no futuro devem ser bastante condicionados pelos educadores. Aspetos como uma alimentação equilibrada, hábitos de higiene corporal e sono.

 

3. Princípios de intervenção

  • Uma vez dito não não voltar atrás

Não é não! Como já referimos antes, devemos pensar antes de dizer que não a algo. Mas quando o dizemos temos de ser firmes. O caminho mais fácil no início conduz muitas vezes a obstáculos mais difíceis à frente. Todos os educadores estão sujeitos a uma pressão constante e é muito mais simples ceder a uma criança a chorar compulsivamente do que fazer o que “deve ser feito”. No entanto, esse alívio a curto prazo pode conduzir a verdadeiros pesadelos no futuro. Nem sempre é fácil e os jovens sabem como nos pressionar mas se o não não significar não então será impossível estabelecer limites.

  • Envolver os jovens no processo

A negociação e a participação dos jovens na definição das regras também é algo importante e que deve ser tentado sempre que possível. Se eles se sentirem envolvidos mais facilmente respeitam as regras e eventuais punições se as houver. Quando eles tiverem capacidade de compreender devemos procurar explicar, em linguagem simples e adaptada à idade, o porquê da necessidade das regras.

  • As punições devem estar pré-estabelecidas

Sempre que possível as punições devem estar pré-estabelecidas e acordadas. Dessa forma caso exista uma quebra das regras os jovens já sabem a que corresponde. O sentimento de injustiça (que normalmente sentem pois estão ainda mais concentrados no seu ego que os adultos) é minimizado.

  • Valorizar ao máximo os bons comportamentos

Mais eficaz do que a crítica e a punição é a valorização dos bons comportamentos. Elogiando bons comportamentos e o seu esforço aumentamos a sua auto-estima e reforçamos comportamentos adequados. Também a referência a jovens que sejam de idades aproximadas ou o convívio com os mesmos são instrumentos muito poderosos. E, claro, o exemplo dos próprios educadores.

  • Sermos assertivos mas calmos

Finalmente, é muito importante a forma como atuamos. Como vimos antes, o educador deve agir de forma firme e decidida fazendo a criança perceber que os limites estabelecidos são mesmo para cumprir. No entanto, devem-se evitar, se possível, posturas muito exaltadas pois estas desviam a atenção sobre o comportamento a corrigir e tendem a perder eficácia com o tempo. Podem igualmente dificultar a distinção com situações mais graves.

 

 

Por Prof. Nuno Machado

Licenciado em Ciências do Desporto pela FMH e Mestre em Psicologia do Desporto pela mesma Faculdade. Presidente da ADDJ. Treinador e professor há mais de 20 anos. Pai.

1 Response

  1. Es difícil encontrar a gente con conocimientos sobre este tema , pero creo que sabes de lo que estás hablando. Gracias compartir un tema como este.